Na última sexta-feira (26/6), o Sistema Único de Saúde (SUS) deu início a uma pesquisa inovadora focada na avaliação de medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade. O estudo, que começa no Grupo Hospitalar Conceição (GHC) em Porto Alegre (RS), irá monitorar 250 pacientes com obesidade severa já atendidos pela instituição. Esta iniciativa, coordenada pelo Ministério da Saúde, visa reunir dados sobre a eficácia, segurança e impacto do medicamento semaglutida dentro da rede pública de saúde.
O lançamento oficial do projeto contou com a participação do motorista de aplicativo Guilherme Henrique Streppel Panichi, de 39 anos, que foi o primeiro a receber a medicação. A semaglutida é produzida pela farmacêutica Novo Nordisk.
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H3>Associação defende tratamento integral no SUS para pessoas com obesidade.
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Nos próximos dois anos, a pesquisa irá avaliar vários indicadores relacionados ao tratamento, como perda de peso, qualidade de vida dos pacientes, resultados laboratoriais, segurança da terapia e evolução clínica, além dos custos para o sistema público. O objetivo é determinar se a utilização das canetas pode reduzir a necessidade de cirurgias bariátricas e minimizar complicações associadas à obesidade.
A investigação será realizada em colaboração entre o Ministério da Saúde e os especialistas do Grupo Hospitalar Conceição. O protocolo é voltado para pessoas com obesidade grave ou que possuem obesidade acompanhada por outras condições como doenças cardiovasculares e que também estejam indicadas para cirurgia bariátrica.
Para serem incluídos no estudo, os participantes devem ter um diagnóstico comprovado de obesidade há pelo menos um ano. Além disso, deve-se demonstrar que tratamentos convencionais — como dietas estruturadas e atividades físicas regulares — não resultaram nos efeitos desejados após um mínimo de dois meses. Outro requisito é que os pacientes tenham capacidade para aplicar a medicação sozinhos ou contar com um cuidador responsável.
O financiamento deste estudo está sendo realizado através da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), a qual recebeu apoio financeiro da Novo Nordisk. Até o momento, não existem previsões sobre a incorporação definitiva dos medicamentos ao SUS, pois isso dependerá dos resultados obtidos na pesquisa.
Além das avaliações clínicas e econômicas relacionadas ao tratamento, o projeto pretende coletar dados nacionais que possam fundamentar futuras políticas públicas para enfrentar a obesidade grave.
“O objetivo é investigar como esses medicamentos podem ser utilizados na rede pública. Esperamos que isso traga benefícios econômicos significativos, como a redução das filas para cirurgias bariátricas e diminuição das complicações cardíacas ligadas à obesidade e diabetes. Não consideramos as canetas como uma solução mágica ou única para o problema da obesidade”, declarou Padilha em uma entrevista recente.
Os agonistas do receptor GLP-1, popularizados por produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, atuam em diversas partes do corpo. No pâncreas, eles promovem a liberação de insulina — sendo também utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 — enquanto retardam o esvaziamento gástrico no sistema digestivo e aumentam a sensação de saciedade no cérebro, facilitando assim a perda de peso.
Estudos recentes têm investigado os potenciais benefícios desses medicamentos em outras áreas da saúde. Uma pesquisa publicada na revista científica Annals of Oncology, revelou que pacientes com obesidade tratados com essas canetas apresentaram uma redução de 41% no risco de desenvolver cânceres relacionados ao excesso de peso. Esta foi a primeira investigação desse tipo realizada com indivíduos sem diagnóstico prévio de diabetes.
Realizada por pesquisadores do Houston Methodist Hospital nos EUA, essa análise considerou dados de 229.467 pacientes obesos registrados na plataforma TriNetX, que agrega prontuários eletrônicos correspondentes a cerca de 113 milhões de americanos.
Enquanto isso no Brasil:
Recentemente foi lançado no país o Ozivy pela farmacêutica EMS — este é o primeiro medicamento utilizando semaglutida sintética aprovado pela Anvisa para tratamento do diabetes tipo 2. Atualmente existem outros 17 pedidos pendentes na agência regulatória.
A EMS está oferecendo um kit com duas canetas multidose (1 mg cada), suficiente para três meses iniciais pelo preço total aproximado R$863 ,23 , equivalente a R$287 mensais.
O primeiro lote disponível no mercado brasileiro contará com cerca de 500 mil canetas , enquanto sua capacidade produtiva anual pode chegar até 40 milhões devido aos investimentos superiores a R$1 bilhão .
Segundo Alexandre Padilha , ministro da Saúde , o governo também busca fomentar a concorrência nesse setor . A Anvisa continuará analisando novos pedidos para registros desses medicamentos à base de semaglutida , possibilitando maior oferta e potencial redução nos preços .
“Queremos nos apropriar dessa tecnologia , assim como fizemos na produção nacional das vacinas . Desejamos fazer parte do seleto grupo global que fabrica esses peptídeos”, concluiu Padilha .
