Ata do Copom será divulgada hoje após a Selic ser reduzida para 13,75%; saiba o que acompanhar | Leonardo Sá/Agência Senado
Hoje, às 11h, o Banco Central apresenta a ata da última sessão do Comitê de Política Monetária (Copom). Esse documento fornecerá detalhes sobre as discussões que resultaram na diminuição da taxa Selic para 13,75% ao ano, e será analisado em busca de pistas sobre a trajetória futura dos juros no país.
Na reunião realizada em 16 de setembro, o Copom decidiu reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual, passando de 14% para 13,75%. Essa foi a quinta redução consecutiva desde março deste ano.
Conforme os registros oficiais do Banco Central, a Selic iniciou 2026 em 15%. Desde então, houve cortes sucessivos, com a taxa caindo para 14,75% em março, 14,50% em abril, 14,25% em junho e 14% em agosto, até chegar ao atual patamar de 13,75%.
Ata pode esclarecer futuro dos juros
O foco estará na análise feita pelo Copom sobre quão longe o ciclo de cortes pode ir.
Esse documento geralmente detalha argumentos que são apenas brevemente mencionados no comunicado divulgado logo após a decisão. Portanto, ele poderá elucidar como o comitê vê a desaceleração da inflação, a situação da atividade econômica e os riscos que ainda dificultam um corte mais rápido da Selic.
É crucial também observar se houve discussão sobre a possibilidade de interromper temporariamente as reduções, manter o ritmo atual de 0,25 ponto percentual ou continuar cortando os juros nas reuniões finais de 2026.
As próximas reuniões estão agendadas para os dias 4 de novembro e 9 de dezembro.
Copom adota postura cautelosa
Nas últimas reuniões, o Banco Central tem enfatizado que a economia mostrava sinais lentos de desaceleração enquanto as expectativas inflacionárias exigiam uma abordagem mais cuidadosa.
Na ata da reunião anterior em junho, o Copom observou que os efeitos prolongados das altas taxas de juros já eram visíveis na desaceleração da atividade econômica e do crédito. Além disso, apontou riscos associados às expectativas inflacionárias e ao cenário internacional.
A ata desta terça-feira permitirá entender como essa avaliação evoluiu até setembro e quais riscos passaram a ser mais ou menos significativos para o Banco Central.
Impactos da Selic em 13,75%
A Selic representa a taxa básica de juros na economia e influencia as demais taxas aplicadas por bancos e instituições financeiras.
Com uma redução na Selic pelo Banco Central, há uma tendência de queda gradual nos custos do crédito. No entanto, essa transmissão não ocorre automaticamente nem com a mesma intensidade para todos os consumidores.
Empréstimos e financiamentos dependem também de fatores como risco de inadimplência e custos operacionais das instituições financeiras.
Além disso, uma redução nas taxas impacta diretamente na remuneração das aplicações financeiras vinculadas à Selic ou ao CDI.
Expectativas do mercado sobre juros em 13,75%
Antes da reunião de setembro, diversas instituições consultadas pelo Banco Central já previam que a Selic encerraria 2026 em 13,75%.
Na primeira semana de setembro foi revelado que essa era a expectativa mediana do mercado financeiro enquanto a taxa básica ainda se mantinha em 14%.
Com a Selic já nesse nível em setembro, esta ata adquire relevância adicional; o mercado buscará indícios no documento sobre uma possível manutenção da taxa ou espaço para novos cortes ainda este ano.
O Banco Central irá disponibilizar a ata da 281ª reunião do Copom às 11h. O texto completo estará acessível no site oficial da instituição.
