Chanceler brasileiro critica tarifas dos EUA | Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reagiu com veemência às declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, considerando-as “inaceitáveis e ofensivas”.
Em um pronunciamento realizado no Palácio Itamaraty, em Brasília, nesta quinta-feira (16/7), ele também criticou a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, afirmando que essa decisão carece de fundamentação real.
O chanceler argumentou que a ação norte-americana, originada a partir da investigação da Seção 301, tem motivação essencialmente política, desconsiderando o esforço diplomático do Brasil. Desde março de 2025, o país promoveu mais de 30 reuniões bilaterais na busca por solucionar o conflito.
Pontos principais do discurso
• Abrangência de exigências: Vieira revelou que os Estados Unidos solicitaram a abertura completa e exclusiva de diversos setores da economia brasileira sem oferecer qualquer compensação. Ele afirmou: “Havia uma demanda por capitulação”.
• Tentativa de retaliação política: O ministro explicou que a investigação da Seção 301 foi instaurada após ameaças do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de tarifas de 50%, em um claro intento de interferir no sistema judiciário brasileiro em relação ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
•Balança comercial favorável aos EUA: O Itamaraty contestou a alegação de prejuízo para os Estados Unidos, ressaltando que nos últimos 15 anos os EUA acumularam um superávit de US$ 424 bilhões em suas transações comerciais com o Brasil. Em 2025, 76% das importações dos EUA para o Brasil foram isentas de impostos.
• Apoio ao Pix e à proteção ambiental: O chanceler considerou como “sem fundamento” as críticas sobre o Pix promovendo competição desleal e rejeitou as preocupações acerca do meio ambiente, enfatizando a diminuição do desmatamento na Amazônia e no Cerrado desde 2022.
O governo brasileiro reafirmou seu comprometimento com o processo, apresentando defesas técnicas que demonstram que suas políticas são legítimas e não discriminatórias.
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A matéria sobre as tarifas dos EUA e sua desconexão com a realidade foi publicada originalmente na Folha do Leste.
